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O presidente Jair Bolsonaro foi entrevistado pela âncora da emissora Fox News, Shannon Bream, na noite de segunda-feira. Na conversa, ela se referiu a ele como o “Trump dos trópicos” e o questionou sobre temas polêmicos de política interna e externa.

Além de reiterar sua proximidade com o presidente americano, Donald Trump, o brasileiro falou sobre outros temas, como o assassinato da vereadora Marielle Franco, os imigrantes ilegais nos EUA – e seu apoio à construção de um muro na fronteira com o México.

Veja abaixo os principais assuntos da entrevista de Bolsonaro:

– Relação com os EUA

O presidente brasileiro disse ter intenção de manter laços estreitos com Washington, tanto do ponto de vista comercial quanto em outras áreas. “Queremos aprofundar nossa relação comercial com os Estados Unidos. Não apenas comercial, mas também desejamos nos aprofundar em outras questões”.

Sobre a possibilidade de os americanos instalarem uma base no País, para fazer frente ao apoio que Rússia e China dão à Venezuela, o presidente não negou nem confirmou a possibilidade, mas reiterou que a questão do país vizinho será um dos principais assuntos na reunião com Trump.

​- A questão da Venezuela

Questionado sobre o quanto estaria disposto a se envolver para resolver a crise no país de Nicolás Maduro – Shannon ressaltou que Trump mantém “todas possibilidades sobre a mesa” -, o brasileiro afirmou que há limites para a atuação do Brasil no país vizinho.

Segundo ele, o Brasil vai fazer “tudo o que for possível na frente diplomática, por meio do envio de ajuda e de assistência” para a Venezuela. “Se há um país interessado em ver o fim da ditadura de Nicolás Maduro, é o Brasil.”

Veja abaixo a íntegra da entrevista de Bolsonaro à Fox News (áudio em inglês):

– Percepção do socialismo

“Os jovens tem se voltado contra o socialismo e contra o comunismo”, afirmou o presidente, ao ser informado que, nos EUA, pesquisas indicam que a população mais jovem não tem uma visão tão negativa sobre esses regimes.

Bolsonaro disse ainda que não poderia permitir que o Brasil chegasse ao mesmo ponto em que se encontra a Venezuela.

Ao concluir esta questão, ele afirmou que “não poderia concordar mais com Trump”, ao se referir ao combate ao socialismo e disse que “está fazendo a mesma coisa no Brasil”.

​- Imigrantes / Muro com México

Ao ser questionado sobre a questão imigratória e sobre a proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México, Bolsonaro disse que acreditaria nas pessoas que são contra algum tipo de restrição ou filtro “se elas tirassem as portas e muros de suas próprias casas”.

“A maioria dos imigrantes não tem boas intenções ou não pretende fazer o melhor para o povo americano.”

​- Homofobia / racismo

Ao negar que seja homofóbico ou racista, Bolsonaro disse que “se fosse tudo isso” não teria sido eleito presidente do Brasil. Ele também afirmou que a população brasileira aprendeu a usar as redes sociais e já não acredita mais na grande mídia, quase toda “tomada pela esquerda”.

O presidente afirmou não ter nada contra homossexuais, mas querer manter “sua casa em ordem”. “A definição de família, na minha visão, é a mesma definida na Bíblia”, explicou, reiterando que quem quiser manter relações homossexuais tem liberdade para isso.

Bolsonaro ressaltou, no entanto, que seu governo não poderia permitir que essas questões fossem tratadas em salas de aula do país, ao se referir ao ensino de educação sexual e, aparentemente, a uma de suas principais polêmicas questões durante a campanha eleitoral: a existência de um suposto kit gay nas escolas públicas.

Para refutar a ideia de que seja racista, ele citou seu sogro, conhecido como “Paulo Negão” (traduzido pela rede americana como “a Big Black Man”) e disse “não ter nada contra os negros”.

​- Polêmica no Carnaval

Ao ser questionado sobre o tuíte publicado por ele durante o Carnaval com um vídeo obsceno, Bolsonaro disse que sua intenção era mostrar como a festa tem se desviado de sua tradição no Brasil. Ele não imaginava, no entanto, que as imagens seriam recebidas de forma tão negativa, já que “sempre agiu daquela forma”.

“Uma das coisas que me fez ser eleito foi meu respeito a famílias e tradições. Eu sou uma pessoa religiosa, não posso me tornar presidente e mudar meu jeito de ver as coisas, o que é muito comum nos círculos políticos.”

– Morte de Marielle

Sobre as prisões recentes de dois ex-policiais ligados ao assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse tratar-se de coincidência o fato de que um deles, Ronnie Lessa, morasse no mesmo condomínio que ele.

“A mídia que sempre me criticou quer estabelecer uma conexão, mas nunca o vi no meu condomínio”, afirmou. Bolsonaro também falou sobre os rumores de que seu filho mais novo teria se relacionado com uma filha de Lessa: “ele afirmou que saiu com quase todas as meninas que moram no condomínio”.

Ele também disse que nunca tinha ouvido falar em Marielle e que só ficou sabendo quem ela era após o crime. “Que motivação eu poderia ter?”, afirmou, ainda ao responder à pergunta se ele tinha alguma relação com o crime ou se era tudo coincidência.

Na sequência, questionou o fato de que a mídia nunca acusou a esquerda de tentar matá-lo durante a campanha presidencial – Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada contra Bolsonaro em Juiz de Fora, foi filiado ao PSOL de 2007 a 2014 – e disse que seus adversários ficaram “frustrados por não ter morrido”.

​- Relação com Bannon

Shannon cita o jantar de Bolsonaro na noite de domingo, já nos EUA, que teve participação de Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump que deixou o governo de forma não amigável em 2017. Segundo Bolsonaro, a única pessoa que mantém contato com Bannon é o filho, Eduardo Bolsonaro.

“Não estou aqui para causar desconforto entre ninguém”.